quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário nacional e internacional

 


1) Habitação popular e luxo impulsionam mercado imobiliário

O mercado imobiliário brasileiro consolida em 2026 uma dinâmica de crescimento dividida entre o volume recorde da habitação popular e a valorização estratégica do segmento de luxo. Enquanto os programas habitacionais impulsionam o número de unidades lançadas em todo o país, o setor de alto padrão concentra-se na rentabilidade patrimonial e no atendimento a uma demanda reprimida por ativos de alta exclusividade. O VGV da parte sul do Brasil tem crescido muito, com o estado de Santa Catarina encabeçando este movimento, especialmente sua capital. Florianópolis registrou um aumento de 91% no Valor Geral de Vendas entre 2024 e 2025, subindo para a 4ª colocação das cidades com maior VGV do país. Este avanço é impulsionado, sobretudo, pelo segmento de Médio e Alto Padrão no estado.

2) Mercado imobiliário deve ter novo “boom” em 2026, diz consultoria

O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com expectativas positivas, apontando para um possível novo “boom”. Dados da Brain Inteligência Estratégica indicam que, em São Paulo, o volume de vendas acumulado em 12 meses saltou de 138,8 mil para 151,7 mil unidades entre o segundo e o terceiro trimestres de 2025. Em nível nacional, a intenção de compra de imóveis atingiu 50%. Segundo o levantamento, os jovens da Geração Z (de 21 a 28 anos) lideram a demanda, registrando 56% de intenção de compra.

3) Aluguel dispara 9,10% em 12 meses e sobe quase o dobro da inflação, Teresina lidera alta

Os preços de locação residencial começaram 2026 mantendo ritmo acima da inflação. Segundo o FipeZAP, o aluguel subiu 0,65% em janeiro, superando o IPCA (+0,33%) e o IGP-M (+0,41%) no mês. O avanço foi puxado principalmente pelos imóveis com quatro ou mais dormitórios, que registraram alta de 1,29%. Já as unidades de um dormitório tiveram variação mais moderada, de 0,41%. No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice FipeZAP de Locação Residencial avançou 9,10%, praticamente o dobro da inflação oficial medida pelo IPCA (+4,44%) e bem acima do IGP-M, que registrou deflação de -0,91% no período. A maior alta anual foi registrada em Teresina (+20,95%), seguida por Belém (+18,14%) e Cuiabá (+17,49%).

4) Entidades da construção associam fim da escala 6x1 a aumento de preço em imóveis

O fim da escala de trabalho 6x1, que é alvo de proposta de emenda constitucional (PEC) encaminhada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), tem tirado o sono do setor da construção civil, que reclama já sofrer com a inflação e a escassez da sua mão de obra. Em coletiva de imprensa neste mês, o presidente-executivo do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário), Ely Wertheim, se posicionou contrário à alteração. “Primeiro, trabalho não mata, não dá câncer. O fato de o cara trabalhar não quer dizer que a vida dele é ruim”, disse. A entidade enviou um posicionamento sobre o tema, no qual elenca comparações com a produtividade do trabalhador brasileiro e de países desenvolvidos que já adotam uma jornada de trabalho reduzida. “Os países que estão adotando a redução da jornada de trabalho são Noruega, Finlândia, Bélgica, vamos combinar que ainda não estamos lá”, afirmou.

5) O tamanho médio dos apartamentos para locação caiu (de novo)

Uma pesquisa do DataZAP mostra que o tamanho médio das unidades procuradas para locação caiu pelo segundo ano consecutivo no Brasil. A metragem média ficou em 58 m2 no ano passado, abaixo dos 67 m2 registrados em 2024 e dos 71 m2 de 2023. A redução é um reflexo de mudanças demográficas e econômicas que afetam o mercado imobiliário. De acordo com o último Censo, as famílias encolheram de uma média de 3,7 indivíduos por lar em 2010 para 2,8 em 2022. Além disso, quase 19% dos domicílios no País agora são ocupados por apenas uma pessoa. E com o metro quadrado mais caro nas áreas bem localizadas, reduzir a metragem virou uma forma de manter o aluguel dentro do bolso. Do lado da oferta, incorporadoras passaram a apostar em projetos mais compactos, ajustando o produto ao orçamento de quem busca morar em regiões com melhor infraestrutura.

6) Inadimplência de aluguel atinge menor nível em oito meses

A inadimplência de aluguel no Brasil começou 2026 em queda e atingiu, em janeiro, a menor taxa dos últimos oito meses: 3,29%. O índice recuou 0,15 ponto percentual em relação a dezembro (3,44%) e 0,40 ponto frente a novembro (3,69%), segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. No acumulado do ano passado, a média de inadimplência ficou em 3,50%, praticamente estável em relação a 2024 (3,49%). Para Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, a queda no início do ano é um sinal positivo. Ele diz, no entanto, que o cenário ainda inspira cautela.

7) Estoque acende sinal amarelo para incorporadoras da média e alta renda

Os lançamentos entre as listadas cresceram 29% no ano passado, mas não foram acompanhados pelo ritmo de vendas (com alta de apenas 1%), o que provocou um aumento de 32% nos estoques do segmento, aumentando as preocupações de investidores e analistas de real estate. Um levantamento do BTG mostra que as companhias do segmento encerraram o ano com um estoque de 36,4 mil unidades, o que equivale a 16,6 meses de vendas - o maior número desde 2022. A maior parte desse total ainda está em construção, mas 9,9 mil unidades já estão prontas.

8) STF julga papel dos cartórios na alienação fiduciária

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma um julgamento que pode ter consequências importantes para o setor financeiro, em especial em relação ao crédito imobiliário. Trata-se, basicamente, da necessidade de contratos de alienação fiduciária terem escrituração pública ou não, ou seja, serem registrados em cartório. A indústria sempre funcionou com uma interpretação da lei 9.514 de que não era preciso fazer escrituração pública, bastando um instrumento particular. Entretanto, em 2024, o então presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luis Felipe Salomão, editou os provimentos 172 e 175, afirmando que a alienação fiduciária sem escrituração pública não valia para qualquer caso, sendo permitida somente para financiamentos imobiliários. Assim ficaram de fora todos os outros tipos de transação que usam alienação fiduciária, como contratos de locação, compra e venda, loteamentos, crédito rural e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

9) Cury (CURY3) lidera momento de lucros entre construtoras, aponta BBI; confira as projeções

A prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) reforçou o bom momento da Cury (CURY3) em relação a outras construtoras, segundo relatório publicado pelo Bradesco BBI. De acordo com os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, que assinam o documento, a companhia, que é focada em habitação popular, deve apresentar uma forte expansão de lucros entre 2026 e 2027, na casa de 19%, acompanhada de um dividend yield próximo de 8% no período. “A Cury apresenta o melhor momentum de lucros no curto prazo. Em termos de números, nossa prévia do 4T25 indica que a empresa deve ser o destaque do setor [na temporada de balanços]”, escreveram.

10) Queda de Maduro provoca inesperado boom imobiliário na Venezuela

A prisão de Nicolás Maduro e as discussões sobre investimentos em petróleo impulsionaram os preços, embora corretoras afirmem que o entusiasmo está superando a demanda em uma economia frágil. A possibilidade de liberdade política e de uma economia mais saudável tem gerado entusiasmo entre os venezuelanos, tanto no país quanto no exterior. Esse otimismo alimentou um aumento no interesse por imóveis, à medida que expatriados, alguns dos quais acumularam economias no exterior, consideram retornar — ou pelo menos investir — pela primeira vez em anos, de acordo com corretores de imóveis que notaram um aumento nas consultas.

 

FONTE: AUTIMOB


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ano eleitoral, Copa do Mundo e redução da taxa de juros: o que esperar do mercado em 2026

 A Brain listou os principais pontos para ficar de olho no próximo ano e que prometem fazer a diferença no mercado imobiliário brasileiro


O ano de 2026 promete ser movimentado em vários segmentos, incluindo o mercado imobiliário. Neste ano teremos eleições presidenciais, Copa do Mundo de Futebol com duração maior que as edições anteriores e, ainda, um grande número de feriados prolongados. Com isso, especialistas estimam que será um ano com menos lançamentos imobiliários e um ritmo reduzido para o setor.

Diante de tantas novidades e um ano atípico, a Brain Inteligência Estratégica listou alguns pontos para ficar atentos no ano de 2026 e se planejar para o que tende a ser destaque, tanto positivo quanto negativo. Confira abaixo 10 pontos que merecem foco este ano:

1- Redução da taxa de juros:

Após período prolongado da taxa básica de juros em 15%, a estimativa dos especialistas é que a taxa Selic entre em redução gradual. A previsão é que a inflação em queda com dólar mais fraco, gere cenário de redução da taxa de juros, favorecendo também a demanda para públicos médio-altos que estão em compasso de espera.

2- Menos lançamentos e investimentos:

A análise da Brain indicou que em 2026, provavelmente, ocorra menos lançamentos imobiliários no país. A economia com menor tração e ano de cenário político devem gerar boa dose de volatilidade, freando vários novos empreendimentos e investimentos. A demanda deve manter-se mais aquecida que a oferta, dado a baixa taxa de desocupação e a intenção de compra elevada. Já os preços continuarão a subir acima do IPCA e INCC.

3- MCMV mantém a força: 

Um dos pontos positivos que deverão ser mantidos será o incentivo ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que em 2025 movimentou o mercado de médio padrão, com o lançamento de uma nova faixa e maiores estímulos ao financiamento para a classe média. A previsão é manutenção da força do MCMV em todas as suas faixas.

4- Cenário positivo para imóveis de investimento

De acordo com a análise da Brain, a vigência da nova Reforma Tributária poderá antecipar decisões de pequenos e médios investidores, fator que criará um cenário positivo para a venda de imóveis voltados para investimentos e rentabilidade, como compactos e empreendimentos com perfil short stay. Imóveis de investimento continuarão com expectativa positiva, ainda que em algumas cidades com menor força pela oferta já colocada.

5- Valores de locação devem continuar crescendo

Em 2026 os investimentos em imóveis para locação por temporada prometem continuar pujantes. As taxas e valores de locação devem continuar crescendo pelo descasamento entre preços de venda e renda das famílias nas capitais. O diagnóstico da Brain leva em conta que, como muitos projetos compactos serão entregues em 2026, pode acontecer uma migração de demanda de short stay para long stay, devendo o short stay manter-se em projetos mais estruturados e vocacionados, substituindo o parque hoteleiro mais antigo.

6- Crescimento de metragens menores:

O levantamento da Brain também prevê que as categorias imobiliárias Luxo e Superluxo tenderão a metragens menores, porém com maior qualidade geral de projeto, mais ênfase em localização e conceituação.

7- Compra de landbank favorecida:

Os valores ou condições de terreno possivelmente terão maior margem de negociação, o que vai favorecer a compra de landbank, que é uma estratégia comum no mercado imobiliário, em que empresas e investidores compram e acumulam terrenos com potencial de valorização a longo prazo, visando o desenvolvimento futuro de projetos em anos mais favoráveis.

8- Aumento da procura por mercado de capitais:

A Brain também traz um alerta: será o ano de grande procura pelo mercado de capitais. Para grande parte das empresas, a expectativa é de que seja um ano de “virada”. Empresas menos organizadas deverão reduzir de tamanho ou até descontinuar atividade se não se planejarem bem.

9- Surgimento de novos nichos e tendências:

Em 2026, haverá o crescimento de projetos co-branded nos segmentos de luxo, como busca de diferenciação e maior ingresso em nichos pouco explorados, mas de grande potencial, como senior living. A nova composição e padrões sociais deverão ditar as novas tendências e o mercado precisará se adaptar às novas dinâmicas, como por exemplo, ao envelhecimento da população brasileira.

10- Grande ativação de negócios atrelado à política:

Dependendo do cenário eleitoral, pode ocorrer grande ativação de negócios ou manutenção do ritmo atual. Em ano eleitoral, marcado pelo receio ao risco no mercado de capitais, o setor imobiliário se mostra como uma alternativa para a segurança patrimonial. Assim sendo, a aquisição de ativos imobiliários, principalmente em cidades em ascensão no mercado, como Goiânia, se tornam uma estratégia de diversificação.

Felipe Melazzo, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-GO), destaca que em anos de incertezas, internas e externas, os imóveis seguem sendo um investimento rentável e seguro. “Com uma valorização acima de outros investimentos e com uma a segurança do patrimônio, que em momentos adversos não é impactado, como ativos financeiros, por exemplo, preservando seu valor. Portanto, para quem busca estabilidade e proteção os imóveis seguem como uma das principais alternativas”, pontuou.

FONTE: AUTIMOB